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sexta-feira, 2 de abril de 2010

Pesquisa sobre Origem e desenvolvimento da espécie humana no Brasil

Um em cada 4 brasileiros crê em Adão e Eva. Para 59%, ser humano é resultado de uma evolução guiada por Deus; somente 8% não acreditam em interferência divina. As informações obtidas pela pesquisa realizada no Brasil contrastam com as colhidas nos EUA, mas se aproximam dos resultados na Europa.

HÉLIO SCHWARTSMAN
DA EQUIPE DE ARTICULISTAS

Um de cada quatro brasileiros acredita em algo parecido com o mito de Adão e Eva. Para eles, o homem foi criado por Deus há menos de 10 mil anos. Esse dado consta da primeira pesquisa Datafolha que investigou as convicções da população sobre a origem e o desenvolvimento da espécie humana.
 
A maioria das pessoas crê em Deus e Darwin. Para 59%, o ser humano é o resultado de milhões de anos de evolução, mas em processo guiado por um ente supremo. Apenas 8% consideram que a evolução ocorre sem interferência divina.

A crença no mito de Adão e Eva despenca à medida que aumentam renda e escolaridade. Quando se acrescentam dinheiro e instrução, a proporção dos darwinistas puros mais do que dobra do menor para o maior estrato. Entre os que acatam a evolução sob gerência divina, o aumento é mais modesto: fica entre 15% (renda) e 20% (escolaridade).

O Datafolha ouviu 4.158 pessoas com mais de 16 anos. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais.

Os 25% de criacionistas da Terra jovem (que atribuem menos de 10 mil anos a nosso planeta de 4,6 bilhões de anos) surpreendem porque o fundamentalismo bíblico, em que as Escrituras são interpretadas literalmente, não faz parte das tradições religiosas do Brasil.

A Igreja Católica, ainda a mais influente no país, jamais condenou a evolução. Pelo contrário até, o Vaticano vem já há algumas décadas flertando discretamente com o autor de "Origem das Espécies".

Em 1950, o papa Pio 12, na encíclica "Humani generis", classificou o darwinismo como "hipótese séria" e afirmou que a igreja não deveria rejeitá-la, embora tenha advertido para o mau uso que os comunistas poderiam fazer dessa teoria. Em 1996 foi a vez de João Paulo 2º declarar que a evolução era "mais do que uma hipótese".

Também entre evangélicos, a literalidade do Gênesis, o livro da Bíblia que relata a criação do mundo e do homem, está longe de unânime. Na verdade, só algumas poucas denominações como adventistas e Testemunhas de Jeová pregam abertamente contra a evolução.

Boa parte das demais se limita a apontar "problemas" no neodarwinismo, tentando reservar algum espaço para Deus, que pode ter papel mais ou menos ativo. Ele pode ser desde o demiurgo, que se limitou a criar o mundo com todas as suas leis (incluindo a seleção natural), e retirou-se até o "Deus ex machina" que interfere o tempo todo, projetando bichos, atendendo a preces etc.

Em tese, qualquer uma dessas posições se encaixa na afirmação de que Deus e evolução atuam juntos. Ela funciona como um guarda-sol que abriga desde católicos estritos a deístas, passando por entusiastas do "design inteligente", que nada mais é do que criacionismo com pretensões científicas.

Teologia intuitiva

Como os adeptos de religiões que defendem a literalidade do Gênesis não chegam nem perto de 25% da população, é forçoso reconhecer que a boa parte das pessoas que abraçaram a hipótese de Adão e Eva o fez seguindo suas próprias intuições, sem prestar muita atenção ao que afirmam suas respectivas lideranças espirituais.

Essa impressão é reforçada quando se considera que a adesão ao criacionismo bíblico se distribui de forma generosa entre todos os credos. Umbandistas (33%) e evangélicos pentecostais (30%) ficam um pouco acima da média nacional, mas católicos comparecem com 24% e evangélicos não pentecostais, com 25%.

Outros países

Uma nota curiosa vai para os que se declaram ateus. Entre eles, 7% também se classificam como criacionistas da Terra jovem e 23% como partidários da evolução comandada por Deus.

Os resultados obtidos no Brasil contrastam com os colhidos nos EUA, mas se aproximam com os de nações europeias. Entre os norte-americanos, a proporção de criacionistas bíblicos chega a 44%. Os evolucionistas com Deus são 36%, e os neodarwinistas puros, 14%. Esses números foram apurados em 2008 pelo Gallup, numa pesquisa que vem sendo aplicada naquele país desde 1982 e que serviu de modelo para a sondagem do Datafolha.

Em relação à Europa, o Brasil se encontra mais ou menos na média. De acordo com uma pesquisa de 2005 do Eurobarômetro, que aferiu o número de pessoas que rejeita a evolução, os criacionistas por ali variam de 7% (Islândia) a 51% (na islâmica Turquia), com a maioria dos países apresentando algum número na casa dos 20%.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Somos os únicos animais falantes? Ah, se o Muriqui falasse...


Ontem no Museu de Zoologia da USP assisti uma ótima palestra do professor César Ades (o currículo lattes dele é este: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.jsp?id=K4787011Y8) o tema era Comportamento Animal e a palestra foi ministrada no evento Dia de Darwin.

Muito animado e contando diversos "causos" (deve ser mania de Etólogo) palestrou por pouco mais de 2 horas de forma muito boa. Lá pelas tantas ele contou sobre um macaco, o Muriqui e suas façanhas. O palestrante conta que o macaco vive em Minas Gerais e que se movimenta por uma extensa floresta pelos seus galhos, em grandes bandos. Aí ele pergunta: "Como vocês acham que eles conseguem se manter unidos?" e uma garota duas fileiras atrás de mim responde: "Eles emitem sons" o senhor Ades responde entusiasmadamente: "Sim" e começa a contar as façanhas do macaco. Ele tem frequências de sons pra se comunicar diferenciadas e alternadas que correspondem a 16 formas diferentes de sons que Ades representa por letras e ele pergunta: "O que isso significaria pra nós?" , eu respondo "Um alfabeto" (na verdade respondi errado) e ele gentilmente fala: "Sim, mas na verdade seriam fonemas e fonemas somos nós que utilizamos" alguns ficam espantados. Por que?

Porque isso significa que eles tem um universo incrível de "palavras" para se comunicar e essa é a última fronteira que há entre nós e os outros animais: a linguagem falada. Ades antes que cheguemos a uma conclusão óbvia disso explica que continuamos sendo diferentes, que os Muriquis não são capazes de falar no sentido estrito da palavra, mas que os estudos ainda estão sendo feitos com linguistas e etólogos.

As conclusões ainda não existem, mas continuamos sendo especiais em algum sentido. Todos os animais são especiais, mas é incrível encontrar um animal fantástico que quase fale.

Ah, se o Muriqui falasse...
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Para mais informações acesse a Revista Pesquisa Fapesp online, é uma ótima revista - http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=2072&bd=1&pg=1&lg=


Até mais....

Abraços...