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sábado, 7 de fevereiro de 2009

Longe... nem tanto

Publiquei dois textos criados há pouco tempo por mim. Neles eu expresso um pouco do absurdo, o qual, exagerado da forma que está talvez diga alguma coisa a alguém. É interessante ver que as coisas passam a nossa volta e não reparamos muito bem. Detalhes tão simples e idiotas, que ao percebermos vemos que realmente não são tão desprezíveis assim.
Eu ando lendo algumas coisas na internet que tem me deixado constrangido de viver em meio a coisas tão erradas, as quais eu não tinha reparado antes.
Acho que destas coisas as relações políticas são as que mais me incomodam, pois são as que mais podem mudar o destino. O destino de muitos. A política existe até nas mais simples relações que vemos, quando tentamos convencer as pessoas de nossa opinião utilizamos da oratória para impor nossa vontade, estamos num dos atos mais antigos que existe. Os gregos tinham a praça como o local do povo, da oratória, da discussão, enfim, da política.
Hoje em dia as coisas mudaram bastante, mas o princípio continua o mesmo. É na pólis em que se fazem todas as coisas, a cidade é o local onde trocamos experiências, emoções, criamos e resolvemos conflitos, criamos e desfazemos relações. Isso tem a ver com poder também. Não o poder fantástico visto nas grandes histórias, ou em novelas como "O Beijo do Vampiro" ou "Os Mutantes". Falo do poder humano, aquele que não é dado aos animais ter, pois eles não são seres culturais, são seres naturais. Através da nossa cultura levamos adiante valores, crenças, verdade e mentiras. Podemos usar o poder da cultura para tudo.
Esse poder infelizmente na nossa terra tem sido usado para fins bastante pessoais. Leiam os jornais e me digam se as notícias lidas realmente são verdadeiras, ou quem escreveu (pois sim, algum ser humano a escreveu) tinha o compromisso de ser isento (lembrando que já disse que creio que não podemos ser imparciais, mas quem sabe justos?). Acho que não tinha o compromisso de ser justo, nem imparcial.
Nosso país nos últimos anos tem visto muitas mudanças, não tantas quanto esperávamos ou queríamos, mas será que poderemos mudar em apenas alguns anos marcas profundas de nossa sociedade? Poderemos apagar em tão pouco tempo a marca da escravidão, do maltrato aos povos nativos, da opressão às mulheres, do poder militar que prendeu, matou e torturou tanta gente? Creio que não! Não podemos em pouco tempo consertar o que foi feito, mas com persistência e vontade podemos mudar aos poucos.
A imprensa, a mídia está aí para cumprir o seu papel de transmitir à população os fatos como são, mostrar coisas boas e ruins, mas sem o maniqueísmo que estamos acostumados a ver nas novelas. Está aí para mostrar como vai o governo, os países, o planeta, a vida do pobre e do rico, está aí para mostrar o que está acontecendo em locais que não vemos e também na esquina da nossa casa. As notícias são um instrumento valiosíssimo para todos nós, é através delas que chegaremos mais próximos da verdade (mesmo sabendo que não a alcançaremos nunca!).
Mas o que dizer quando o que vemos não corresponde a nada próximo da verdade? Quando vemos casos como o de Cesare Battisti se tornarem uma guerra política sem precedentes. Isso enquanto milhões morrem de fome no mundo. Quando vemos a defesa de governos que não tem compromisso com a sociedade serem enaltecidos, em favor de alguns poucos privilegiados. Isso tudo enquanto a violência devasta famílias, enquanto comunidades inteiras são obrigadas a conviver com o poder do tráfico, pois o Estado não existe lá. Estado o qual só age em frente às câmeras e que se rende facilmente ao poder das elites. E em torno disso tudo uma crise que promete devastar o mundo judaico-cristão ocidental (e capitalista) tal como conhecemos?
O que dizer? O que fazer?
Ficar parado é que não.

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